Hoje, minha sobrinha Blaise(“Bleiz”),
de quase 2 anos, mordeu a mão do meu pequeno príncipe tão forte que quase
sangrou. Eu peguei ela pelos cabelos e dei umas palmadas. MENTIRA! Nunca bati
no Luka (muito menos na Blaise) e espero nunca precisar. Acredito que bater em filho
é igual cuspir para cima. Criança copia tudo que os pais fazem, logo, se você
bater, está ensinando que bater pode, que é uma atitude aceitável!
Tem pais que acreditam
que tapinha na mão pode, e eu não critico, até conheço várias crianças que
levam umas palmadinhas na mão de vez em quando e são geralmente super queridas
e tranquilas. Também não sou ingênua de pensar que talvez quando for maior,
tipo lá pelos 7 anos, Luka não vá precisar de umas palmadas, mas então ele já não
será uma pessoinha tão pequena, indefesa e inocente, será grande o suficiente para
entender o que fez de errado e porque apanhou. Não sei, só posso especular, mas
genuinamente espero nunca perder a paciência.
A Blaise mordeu o Luka porque ele estava segurando
um trem que ela queria. Só que antes de ela morder ele, parece que ele deu um
tapa nela. Bem-feito!, mas quando é o nosso filho, não gostamos nada, certo? Minha cunhada teve que abrir a boca dela com suas próprias mãos porque
ela não largava! Fiquei
com medo de ele chegar na escolinha enfiando os dentes em todos os coleguinhas
no dia seguinte! Mas o importante é que ele viu que a atitude dela foi
repreendida da mesma maneira de quando ele era menor e batia nos amiguinhos
(castigo), então não acredito que ele vá copiar.
A fase agressiva do Luka começou logo depois de completar 2 anos, quando começou a ir na
escolinha. Durou alguns meses, e eu estava desesperada porque ele batia (mas não
mordia!) em todos os amiguinhos, meninos ou meninas, quando saíamos passear ou
brincar, e eu estava preocupada que as poucas amigas que tenho aqui na
Inglaterra fossem bloquear meu número de telefone e meu contato no Facebook para
evitar sair com o “capetinha”! Longe disso, Luka é um menino muito querido… E
ainda bem que minhas amigas foram compreensivas e acreditaram que a fase acabaria!
Se fosse meu filho apanhando sempre, não sei se eu continuaria com os encontros
por algum tempo… Até estou reconsiderando a amizade com minha cunhada!
Brincadeirinhaaa!
Enfim, acredito que o
Luka começou a bater por estar frustrado na escolinha por ter que dividir
brinquedos e atenção (filho único!) e provavelmente por ter levado algum tapa
de algum coleguinha também. O que eu fiz para mudar o comportamento dele foi
usar a técnica “naughty chair”, ou “naughty step” (cadeira ou degrau do
mal-criado), do jeito que aprendi com a Super Babá Jo Frost.
Primeiro, escolhi um
cantinho onde ele ficasse longe dos brinquedos dele mas ainda pudesse enxergá-los
e a mim. Expliquei que quando fosse mal-criado, ia sentar numa cadeirinha
naquele canto até eu falar que poderia sair. Não se deve colocar de primeira,
tem que dar um aviso antes. Assim, por exemplo: Luka jogou agua no sofá. Eu:
Luka, não pode jogar água no sofá porque blablablá (sempre é bom explicar os
motivos das coisas e não dar somente ordens como uma ditadora). Luka joga de
novo. Eu: Luka, se você jogar água de novo no sofá, você vai sentar de castigo.
Água de novo. Eu: Luka, castigo, senta na sua cadeira (então eu me abaixo para
falar no nível dele, olhos nos olhos), você está de castigo porque a mamãe
falou para não jogar água no sofá e você jogou; agora fica sentado aqui por 2
minutos (idade dele), até eu voltar. Então eu ficava na volta fazendo alguma
coisa e ignorando ele, e, geralmente antes de 2 minutos, porque ele ficava
quietinho mesmo, eu voltava, me abaixava de novo para falar no nível dele, e
perguntava: Por que você está de castigo? (se ele não soubesse responder ou
respondesse errado, eu repetia: Você está de castigo porque jogou água no sofá quando
eu falei não) Depois da resposta, eu: pede desculpas. Se não pedisse desculpas
ficava na cadeira por mais 2 minutos. Depois das desculpas oferecidas, eu
aceitava pedindo um abraço. Acho o abraço muito importante, para mostrar que
ainda gosto dele apesar de ter colocado de castigo.
Parece simples, mas
pode se tornar um pesadelo se seu filho se recusa a sentar na cadeira, ou a
pedir desculpas, por exemplo. Tem que ter paciência, tem que acreditar, tem que
insistir. Se você for coerente e constante, fizer sempre do mesmo jeitinho, você
vai vencer essa batalha.
No começo, foi difícil
porque o Luka adorava ir de castigo, achava engraçado, que estava chamando atenção!
Uns dias depois que comecei a usar a cadeirinha, flagrei o Luka colocando um
macaco de pelúcia de castigo, fazendo TUDO igualzinho a mim! Ele se abaixava,
colocando as mãos no joelho, e falava pro macaco, você foi mal-criado e vai
ficar aqui sentado até eu falar que pode sair!
Numa outra vez, a
Blaise estava em nossa casa e ele bateu nela porque ela estava segurando algum
brinquedo dele e eu não deixei tirar. Falei “não pode, ela é pequena e você tem
que dividir”, ele bateu de novo, falei “mais uma e vai de castigo”, ele bateu
de novo, foi de castigo, esperou, saiu do castigo e eu falei “agora pede
desculpas pra Blaise”, ele foi correndo e deu mais um tapão nela, esse com
gosto! Coloquei de castigo de novo, voltei depois de 2 minutos e perguntei: “você
vai bater de novo?” - “sim” - “então fica na cadeira”. Ficou lá uns 5 minutos,
voltei, “você vai bater de novo?” - “sim”. Eu sei que não pode mas estava
morrendo de rir por dentro, o Ryan e o irmão da Blaise que estava ali também
estavam às gargalhadas! Depois de um tempo, ele saiu do castigo e, acredite!,
foi correndo dar mais um tapa na prima, e voltou correndo sozinho sentar na
cadeira de castigo!!!! Hi-lá-ri-o!!
Quando ficou óbvio que
ele estava levando na brincadeira, continuei com o castigo mas se a atitude
fosse muito mal-criada também comecei a tirar brinquedos dele, ou estrelas da
sua tabela (leia o texto “Como conseguir do seu filho tudo o que você quiser”).
Foi quando um dia, na escolinha, ele bateu na cabeça de um menino com um brinquedo
meio pesado, e foi colocado de castigo. Ficou super triste e envergonhado. Depois
disso, não queria mais ir à escola por dias e passou a odiar o castigo. A
partir de então, a técnica começou a funcionar perfeitamente! Após algunas semanas,
dar o aviso do castigo já resolvia o assunto.
Outra coisa que
funciona muito para mim é chantagem emocional. Eu falo que estou triste com o que
ele fez e ignoro ele um pouco, se me chama para brincar ou conversa comigo, eu
falo que estou triste com ele, explico o motivo, e que por isso não vou brincar
ou falar. Ele fica tão bonzinho, me enche de beijos, e até hoje, nas situações
mais diversas, fica me perguntando se estou feliz!
O Luka ainda bate em
outras crianças, mas é muito raro. Se eu explicar qual o comportamento esperado
dele em determinada ocasião social, ele se comporta bem. É mais comum ele bater
nos primos, o Pedro no Brasil, e a Blaise aqui na Inglaterra, do que em amigos.
Deve ser porque compartir brinquedos ele já está aprendendo bem, mas compartir
atenção ainda é o próximo passo.
Quem sabe já está na
hora de produzir um(a) irmãozinho(a)?
Marcas da mordida na mão do Luka