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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Polêmica do biquini infantil


Essa semana a imprensa britânica elegeu a atriz Liz Hurley para ser o alvo da sua neurose e hiprocisia, por “encorajar comportamento inadequado”. É que ela lançou uma coleção de biquinis para meninas que inclui estampa de oncinha… e que as meninas modelos posam com as mãos na cintura (vai arder no fogo do inferno!!!) Uma reportagem chega a comparar as meninas a “mini strippers”. Fala séeeeeerio, não tem mais assunto importante para tratar, não?

Primeiro que os biquinis são bem fofos, não eróticos. Segundo, que a estampa de onça, acredito eu, é hoje apenas mais um design entre milhares, até meio batido, e que, conforme a peça, não tem conotação sexual. Terceiro porque as poses das meninas são muito normais, a maldade está nos olhos de quem vê. Quarto que não existe nada de errado em criança usar biquini e mostrar a barriga, não sei em que cabeças neuróticas se passa a idéia de que não é apropriado. Quinto que o exemplo de bom comportamento, de dignidade, de “moral e bons costumes”, vem de casa, da familia e da escola.

Hoje em dia, onde a capa do jornal estampa uma foto da cantora Rhianna com uma striper no meio das suas pernas, cheia de dinheiro na boca e mãos nos seios, você não pode imaginar que nossos filhos não estejam expostos ao mundo erotizado (escolho esse exemplo entre centenas porque ela serve de modelo para muitas garotas mundo afora), e biquini de oncinha ou caveirinha ou anjinha não muda nada, é mais para posar para fotografia da mamãe, que vai ter um modelito igual, óbvio. A diferença está em como a mãe (e outras mulheres próximas) se comporta, seja de terno ou de biquini, ela é o principal exemplo, e quem educa.

Então vamos deixar essa hipocrisia e crítica falsa de lado, e focar no problema real, que são os péssimos exemplos que a mídia oferece para as mulheres adultas, para as adolescentes e para as mães, através de todo o lixo que vem com materiais repugnantes como BBB e com essas celebridades cheias de peito e bunda e lábios falsos e vazias de conteúdo (aqui na Inglaterra principalmente com reality shows). Nada contra a busca pela beleza, desde que esse não seja considerado o único motivo e intuito da existência humana.

Os biquinis da LH custam em média 45 libras, e se eu tivesse uma menina eu consideraria comprar, sem culpas - pelo menos no Brasil, porque acabo de perguntar ao meu marido ingles sua opinião, e ele disse que não deixaria filha sua usar o de oncinha, "por ser desenhado para uma mulheres com seios". Acho que no Brasil essa discussão não tem o menor sentido, estou errada, estou vivendo em outro planeta? 
 
Quem sabe as britânicas não sabem ser cheias de graça sem ser cheias de malícia, daí é da cultura delas, essa abordagem não se ouve falar, verdade? Sabem de uma coisa, as brasileiras tem fama, mas são as européias que deitam na cama!  
 
Alguns exemplos da coleção criticada pela imprensa britânica:
 



 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tempo entre uma gravidez e outra

Decisão completamente pessoal, que depende da sua disposição e saúde, seu estado emocional, do seu trabalho, de como vai seu relacionamento com o pai, da situação financeira, de que como você idealiza a criação do primeiro filho, do que disse a cartomante, enfim, do que for importante pra você.

Eu, pessoalmente, gostaria de ter engravidado de novo depois que o Luka completou 1 ano, para que fossem um pouco mais próximos e companheiros. Mas comecei a arrumar um monte de desculpas. A principal, financeira. “Vamos esperar para ver se dá certo tal coisa e podemos comprar uma casa”. Essa era a frase que eu ouvia e repetia, mas dentro da minha cabeça, o sentido dessa frase era na verdade “se eu tiver outro filho agora, não vou poder comprar os móveis que eu quero, decorar o quartinho dele do jeito lindo que imagino, comprar as roupas mais fofas que vejo, e ainda vou viver de pijama e descabelada por outros 6 meses no mínimo”. Outra questão considerada era a de que gostaríamos de nos dedicar bastante ao nosso primeiro filho, e tínhamos receio de que ele ficasse com muito ciúme e revoltado com uma segunda gravidez. Na verdade, também nos arrepiava a idéia de um segundo filho ser mais difícil de criar, ter outro temperamento. Como o Luka é tão tranquilo e sua rotina funciona tão bem, ficamos com medo de outro filho dar trabalho dobrado! Além disso, sempre planejei voltar a trabalhar desde que o Luka completou 1 ano, mas não aconteceu (vou escrever sobre isso outro dia). E por último, eu amava de paixão minha barriga de grávida, mas a idéia de não entrar nos meus skinny jeans de novo por mais de ano não estava me seduzindo. Já estou com 32 anos, e fico imaginando que se engordar de novo talvez nunca mais volte a ser (relativamente) magra. Ryan certamente tem outras razões pessoais (quando ir à academia, como escapar para uma cervejinha sem causar a 3ª Guerra Mundial, sexo?, quando trocar de carro, não posso perder mais cabelo, Xuxa de novo?, e outras que nem imagino). De comum acordo, resolvemos esperar.

Hoje, gostaria de que minha decisão houvesse sido diferente. Primeiro porque não voltei a trabalhar de qualquer jeito, mas principalmente, porque o Luka precisa de uma companhia infantil dentro de casa. Fico me sentindo culpada e triste de vê-lo brincando sozinho, ou chamando a mãe e o pai para brincar junto o tempo todo. Eu brinco, bastante, na verdade brincar mesmo não brinco tanto, mas fico ali, sentada junto, fazendo uns comentários, estimulando alguns acontecimentos, parabenizando alguma atitude, mas a triste, mais triste verdade é que eu não tenho mais tanta imaginação para brincadeira, e me sinto impotente em relação a isso. E para piorar, brincadeiras de menino. Enquanto ele era bebê, e tudo era novo e fantástico, fácil, mas agora, à beira dos 3 anos, está na hora da brincadeira passar a outro nível, e não sei se estou acompanhando! (imagina como será na escola??) Talvez eu esteja exagerando tudo, esteja me sentindo assim porque ele passou 2 semanas em casas sem ir à escolinha e sentindo falta dos coleguinhas, mas mesmo quando ele vai (3 vezes por semana, pela manhã), ainda sinto que lhe faz falta um(a) irmã(o). Desde pequeno, sempre saímos bastante de casa, frequentamos diversos parques e centros de bebês e infantis para ele brincar e socializar,  pelo menos 1 vez por semana marco com alguma amiga para nossos filhos brincarem junto… mas não acredito que seja suficiente. Luka é tímido e um pouco anti-social. Quando vamos ao parque, por exemplo, fica esperando não ter nenhuma criança no escorregador para ele brincar. Não quer dividir o espaço ou fazer fila. Talvez depois de um pouco tempo ele acabe se interessando por alguma outra criança e brinque junto, mas geralmente é mamãe para cima e para baixo. Quando encontramos filhos(as) da minhas amigas, demora uma meia-hora para ficar à vontade. Lógico que essa é a personalidade dele, mas talvez se tivesse irmão, fosse um pouco mais confiante. Às vezes sinto que ele passa a impressão de ser mimado e mal-educado. Mimado pode ser, um pouco, é difícil para a mãe enxergar isso, mas mal-educado de jeito nenhum, apenas falta auto-confiança, acredito.

Agora, o Luka completa 3 em julho, se engravidasse hoje, haveria quase 4 anos de diferença entre os 2. Como já passou da hora mesmo, agora vou esperar até o ano que vem. Estou com muita muita vontade de ter um bebezinho em casa de novo, mas estamos cheios de desculpas ainda… férias de agosto, trabalho, dinheiro… o saco das desculpas só vai aumentar, então estou comprometida a esquecer o resto do mundo, tirar o DIU e engravidar em 2013 (se Deus quiser!).

Esses dias o Ryan me perguntou se tenho certeza de que quero mais filhos, já que agora estamos tranquilos, mais independentes, temos boas noites de sono, somos mais sociáveis, etc etc. Respondi a ele que não importa isso tudo hoje, porque quando estivermos velhinhos tudo o que vai fazer a nossa alegria será a família, a presença de pessoas amadas ao redor, nos almoços de domingo, nos aniversarios, no Natal (aaaah o Natal!), e para isso precisamos procriar e multiplicar!

Luka socializando...

...Luka e primo Pedro

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Perdendo a paciência

Hoje acordei mal-humorada. Sono interrompido dá nisso. Luka acordou com a corda toda, como todos os dias, querendo brincar com os carros dele – obcecaaaaaaaaado pelos carros do filme da Disney, já tem uns 40 e está ancioso para ganhar mais no seu aniversário, em julho. Então, mas ele não quer brincar sozinho, quer que eu brinque com ele. Explico que tenho que tirar o pijama, lavar o rosto, arrumar os quartos e tomar uma xícara de café antes de começar o dia. Ele entende, espera, mas se demoro muito, sobe para me chamar. Hoje eu estava sem paciência para receber ordem, e acabei me dando mal.

Luka viu uma caixa de sapato dentro do meu armário e pediu para usar para brincar (ele gosta de fazer um buraco no fundo da caixa e colocar a mão dentro, esconder com um papel ou pano, fechar, e pedir para alguém abrir a caixa para assustar). Acontece que semana passada uma prateleira do armário caiu e o marido ainda não teve tempo (=vontade) de arrumar, então eu coloquei umas caixas embaixo para evitar acidentes. Virei as costas e o Luka puxou a caixa. Eu dei um xilique desses fora de proporção, de mulher louca, meio que gritando “eu falei que NÃO, que não era para pegar a caixa blablablá…” e a carinha dele foi ficando triste, me senti mal, baixei o tom da voz e expliquei o motivo. Luka saiu e foi se esconder no quarto dele. Quando perguntei “você está se escondendo da mamãe?” – “sim” – “por quê?”, tive que engolir uma resposta arrasadora: “because you are not nice with me” (porque você não é legal comigo).

Senti muuuuuita culpa por descontar meu mau humor nele, e ele estava triste de verdade… deu uma choradinha de mágoa, e eu enchi de beijos e carinhos e pedi esculpas, expliquei que fiquei assustada porque achei que a prateleira ia cair, e ele me desculpou mas ficou com carinha triste por mais umas 2 horas (na verdade uns 5 minutos no máximo, mas pareceu muito mais!).

Luka ganhou o dia. Pra compensar minha atitude, fui eeextra legal, inventei um monte de brincadeiras e fizemos bandeirinhas para uma festa de mentira. E adorei. Meu dia foi animado e bem-humorado, Luka ficou contente e ainda gosta de mim (!!)… mas não esqueceu da caixa, já contou para o pai dele quando chegou em casa!

Que mania feia de descontar nossos problemas/humor nas pessoas que amamos! Provavelmente vai acontecer de novo, e talvez eu nem perceba se ele ficar triste, mas não quero ser assim!! Meu filhinho está crescendo, ele vai aprendendo comigo, e eu com ele…

domingo, 3 de junho de 2012

Jubileu de diamente da Dona Bethy

Hoje foi a grande celebração pública dos 60 anos da rainha Elisabeth no trono britânico. Aconteceu no rio Tâmisa, com a chamada “flotilla” – uma procissão de embarcações. Eu queria muito ter ido, mas desisti por causa da chuva. Vendo pela televisão, não fiquei tão triste porque achei que fosse ser mais espetacular. Me pareceu um pouco chato.

O outro motivo para não ir é o tema Luka, levar ou não levar? (Ainda não completou 3 anos). Ontem fomos a um casamento e o levamos. Os casamentos aqui na Inglaterra sempre acontecem de dia, normalmente no final da manhã ou à tarde, seguido de almoço e festa, assim fica mais fácil de levar criança. Lá pelas 18.30, hora do Luka tomar banho e ir para cama, meus sogros foram buscá-lo, e ele dormiu na casa deles. Não pude abusar e pedir que ficassem com ele de novo durante o dia. Levar? Hmm podem me achar meio chata e fresca, que deixo de fazer coisas por causa do meu filho, mas a verdade é que, se acabo levando fico preocupada o tempo inteiro com a segurança e satisfação dele, e não aproveito. Enfrentar trem lotado na ida e volta, filas para tudo, uma multidão nas ruas, ficar em pé esperando o evento começar, ficar em pé assistindo e certamente com o Luka no colo a essas alturas, sem lugar para ele brincar, entediado, sem entender nada, pedindo pra ir pra casa… nãnaninanão! Lembro de quando eu era criança, em Erechim(RS), e era obrigada a participar de uma procissão religiosa que significava pelo menos 1 hora de caminhada e mais uma loooonga missa na Catedral da Nossa Senhora de Fátima, e depois voltar para casa andando… muito muito cansativo, e para uma criança, nada divertido… sem falar que uma missa longa não prende a atenção de mente infantil - a minha distração eram as velas levadas pelos fiés, me desculpem por todas as que apaguei e acendi de novo, espero que não tenha prejudicado vossas preces!
 
Enfim, sei o quanto era difícil participar de eventos adultos quando era criança, então tento poupar o Luka o máximo que puder. Por outro lado, tudo isso faz parte da minha história, das minhas experiências de vida e formação da minha personalidade, e fico feliz por essa vivência (mas poxa mãe, 2 ou 3 vezes na mesma semana era sacanagem!). O dia de hoje é histórico na Inglaterra, país onde meu filho nasceu, e gostaria que fosse marcante para ele também, embora não vá se lembrar no futuro. Dessa vez passou em branco, mas já estou comprometida a participar do próximo grande evento real que acontecer. Ryan imagina que provavelmente será um funeral. Eu pensei no casamento do príncipe Harry, mas, se acontecer logo, também não é tão importante como o do William, herdeiro do trono. Aliás, também deixei de ir a Londres para o casamento Will&Kate, mas foi simplesmente porque imaginei que seria impossível ver algo de perto sem acampar em frente ao Palácio de Buckingham alguns dias antes.

Na escolinha do Luka houve uma festinha na sexta-feira para celebrar o Jubileu. As crianças fizeram bandeirinhas e coroas, aprenderam um pouco sobre realeza, ajudaram a fazer um bolo e brincaram muito. Todos vestidos de azul, vermelho e branco. Luka adorou, mas daqui a uns dias já nem lembra mais. Acho que quem gosta mais de tudo isso sou eu mesma… adoro a idéia de aprender e viver com ele tudo sobre a história e cultura daqui, tão diferente da nossa, no Brasil.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Socorro! Meu filho bate nos amiguinhos!

Hoje, minha sobrinha Blaise(“Bleiz”), de quase 2 anos, mordeu a mão do meu pequeno príncipe tão forte que quase sangrou. Eu peguei ela pelos cabelos e dei umas palmadas. MENTIRA! Nunca bati no Luka (muito menos na Blaise) e espero nunca precisar. Acredito que bater em filho é igual cuspir para cima. Criança copia tudo que os pais fazem, logo, se você bater, está ensinando que bater pode, que é uma atitude aceitável!

Tem pais que acreditam que tapinha na mão pode, e eu não critico, até conheço várias crianças que levam umas palmadinhas na mão de vez em quando e são geralmente super queridas e tranquilas. Também não sou ingênua de pensar que talvez quando for maior, tipo lá pelos 7 anos, Luka não vá precisar de umas palmadas, mas então ele já não será uma pessoinha tão pequena, indefesa e inocente, será grande o suficiente para entender o que fez de errado e porque apanhou. Não sei, só posso especular, mas genuinamente espero nunca perder a paciência.

A Blaise mordeu o Luka porque ele estava segurando um trem que ela queria. Só que antes de ela morder ele, parece que ele deu um tapa nela. Bem-feito!, mas quando é o nosso filho, não gostamos nada, certo? Minha cunhada teve que abrir a boca dela com suas próprias mãos porque ela não largava! Fiquei com medo de ele chegar na escolinha enfiando os dentes em todos os coleguinhas no dia seguinte! Mas o importante é que ele viu que a atitude dela foi repreendida da mesma maneira de quando ele era menor e batia nos amiguinhos (castigo), então não acredito que ele vá copiar.

A fase agressiva do Luka começou logo depois de completar 2 anos, quando começou a ir na escolinha. Durou alguns meses, e eu estava desesperada porque ele batia (mas não mordia!) em todos os amiguinhos, meninos ou meninas, quando saíamos passear ou brincar, e eu estava preocupada que as poucas amigas que tenho aqui na Inglaterra fossem bloquear meu número de telefone e meu contato no Facebook para evitar sair com o “capetinha”! Longe disso, Luka é um menino muito querido… E ainda bem que minhas amigas foram compreensivas e acreditaram que a fase acabaria! Se fosse meu filho apanhando sempre, não sei se eu continuaria com os encontros por algum tempo… Até estou reconsiderando a amizade com minha cunhada! Brincadeirinhaaa!

Enfim, acredito que o Luka começou a bater por estar frustrado na escolinha por ter que dividir brinquedos e atenção (filho único!) e provavelmente por ter levado algum tapa de algum coleguinha também. O que eu fiz para mudar o comportamento dele foi usar a técnica “naughty chair”, ou “naughty step” (cadeira ou degrau do mal-criado), do jeito que aprendi com a Super Babá Jo Frost.

Primeiro, escolhi um cantinho onde ele ficasse longe dos brinquedos dele mas ainda pudesse enxergá-los e a mim. Expliquei que quando fosse mal-criado, ia sentar numa cadeirinha naquele canto até eu falar que poderia sair. Não se deve colocar de primeira, tem que dar um aviso antes. Assim, por exemplo: Luka jogou agua no sofá. Eu: Luka, não pode jogar água no sofá porque blablablá (sempre é bom explicar os motivos das coisas e não dar somente ordens como uma ditadora). Luka joga de novo. Eu: Luka, se você jogar água de novo no sofá, você vai sentar de castigo. Água de novo. Eu: Luka, castigo, senta na sua cadeira (então eu me abaixo para falar no nível dele, olhos nos olhos), você está de castigo porque a mamãe falou para não jogar água no sofá e você jogou; agora fica sentado aqui por 2 minutos (idade dele), até eu voltar. Então eu ficava na volta fazendo alguma coisa e ignorando ele, e, geralmente antes de 2 minutos, porque ele ficava quietinho mesmo, eu voltava, me abaixava de novo para falar no nível dele, e perguntava: Por que você está de castigo? (se ele não soubesse responder ou respondesse errado, eu repetia: Você está de castigo porque jogou água no sofá quando eu falei não) Depois da resposta, eu: pede desculpas. Se não pedisse desculpas ficava na cadeira por mais 2 minutos. Depois das desculpas oferecidas, eu aceitava pedindo um abraço. Acho o abraço muito importante, para mostrar que ainda gosto dele apesar de ter colocado de castigo.

Parece simples, mas pode se tornar um pesadelo se seu filho se recusa a sentar na cadeira, ou a pedir desculpas, por exemplo. Tem que ter paciência, tem que acreditar, tem que insistir. Se você for coerente e constante, fizer sempre do mesmo jeitinho, você vai vencer essa batalha.

No começo, foi difícil porque o Luka adorava ir de castigo, achava engraçado, que estava chamando atenção! Uns dias depois que comecei a usar a cadeirinha, flagrei o Luka colocando um macaco de pelúcia de castigo, fazendo TUDO igualzinho a mim! Ele se abaixava, colocando as mãos no joelho, e falava pro macaco, você foi mal-criado e vai ficar aqui sentado até eu falar que pode sair!

Numa outra vez, a Blaise estava em nossa casa e ele bateu nela porque ela estava segurando algum brinquedo dele e eu não deixei tirar. Falei “não pode, ela é pequena e você tem que dividir”, ele bateu de novo, falei “mais uma e vai de castigo”, ele bateu de novo, foi de castigo, esperou, saiu do castigo e eu falei “agora pede desculpas pra Blaise”, ele foi correndo e deu mais um tapão nela, esse com gosto! Coloquei de castigo de novo, voltei depois de 2 minutos e perguntei: “você vai bater de novo?” - “sim” - “então fica na cadeira”. Ficou lá uns 5 minutos, voltei, “você vai bater de novo?” - “sim”. Eu sei que não pode mas estava morrendo de rir por dentro, o Ryan e o irmão da Blaise que estava ali também estavam às gargalhadas! Depois de um tempo, ele saiu do castigo e, acredite!, foi correndo dar mais um tapa na prima, e voltou correndo sozinho sentar na cadeira de castigo!!!! Hi-lá-ri-o!!

Quando ficou óbvio que ele estava levando na brincadeira, continuei com o castigo mas se a atitude fosse muito mal-criada também comecei a tirar brinquedos dele, ou estrelas da sua tabela (leia o texto “Como conseguir do seu filho tudo o que você quiser”). Foi quando um dia, na escolinha, ele bateu na cabeça de um menino com um brinquedo meio pesado, e foi colocado de castigo. Ficou super triste e envergonhado. Depois disso, não queria mais ir à escola por dias e passou a odiar o castigo. A partir de então, a técnica começou a funcionar perfeitamente! Após algunas semanas, dar o aviso do castigo já resolvia o assunto.

Outra coisa que funciona muito para mim é chantagem emocional. Eu falo que estou triste com o que ele fez e ignoro ele um pouco, se me chama para brincar ou conversa comigo, eu falo que estou triste com ele, explico o motivo, e que por isso não vou brincar ou falar. Ele fica tão bonzinho, me enche de beijos, e até hoje, nas situações mais diversas, fica me perguntando se estou feliz!

O Luka ainda bate em outras crianças, mas é muito raro. Se eu explicar qual o comportamento esperado dele em determinada ocasião social, ele se comporta bem. É mais comum ele bater nos primos, o Pedro no Brasil, e a Blaise aqui na Inglaterra, do que em amigos. Deve ser porque compartir brinquedos ele já está aprendendo bem, mas compartir atenção ainda é o próximo passo.

Quem sabe já está na hora de produzir um(a) irmãozinho(a)?


Marcas da mordida na mão do Luka

sábado, 19 de maio de 2012

Pai de primeira viagem: o que não aprendi em livro algum

Antes do Luka nascer, passei uns 7 meses devorando informações sobre a gravidez e como cuidar de um bebê. Livros, revistas, web, tv, tudo servia e ajudava. Ficava triste que meu marido não se interessava muito, nem encostava muito na barriga, não parecia interessado nos movimentos do bebê. A maior participação que eu sentia dele era que, todos os dias após meu banho, passava creme nas minhas pernas e pés, porque eu já não alcançava (lembro de ter chorado por causa disso, mas daí grávida chora até para cortar tomate!).

Um dia entendi que a preparação dele aconteceu de uma maneira diferente, pensando no lado emocional e financeiro, e deixei a insegurança de lado. Minhas dúvidas eram sobre como evitar assaduras, limpar a gengiva e cortar unha, que shampoo usar, que roupa vestir pra não passar calor/frio, etc etc etc etc etc etc etc, e principalmente, o parto. As dele, quando poderemos comprar uma casa?, qual carro devo comprar?, minha mulher vai ter tempo para mim?, porque precisa gastar tanto dinheiro com cadeira de amamentar?, meu filho vai gostar de mim? Nunca mais vou dormir bem?....

O Luka demorou para nascer. Que o diga a cunhadi Paola, que ficou aqui na Inglaterra esperando e quase induziu o parto sozinha! Era previsto para o dia 5/9/09, e nasceu no dia 13, uma segunda-feira. Nesse último final de semana, o Ryan se deu conta de que tudo iria mudar de repente, e resolveu se informar também. Do tipo que usa Google e You Tube para absolutamente tudo, o marido pegou o computador e em meia-hora estava pronto. Leu e assistiu e aprendeu passo-a-passo como dar banho e trocar fralda do bebê, tarefas a ele delegadas.

Depois que o Luka nasceu, tive que ficar 2 noites no hospital em observação. Nada de mais, mas tive um pouco de pressão alta no final da gravidez (ainda bem, porque essa foi a ‘desculpa’ para conseguir ser induzida!), e a norma nesse caso é observação. Na primeira noite ele dormiu como um anjo, das 24 as 5hrs. Acordado, só mamava e olhava tudo e todos, com muita curiosidade. Nossa, que fácil, e eu estava preocupada a toa! Hum hum… Segunda noite, esse menino não parava de chorar. Eu estava sozinha na maternidade (proibido acompanhante dormir), morta de cansaço, e sem dormir. Coloquei ele na cama comigo para mamar enquanto eu dormia (culpada! culpada! – li em livros que não deveria fazer isso por perigo de cair no sono e sufocar o bebê!). Ele chorava, eu dava o peito, chorava mais, trocava o peito, chorava de novo… as parteiras e enfermeiras entravam no quarto, pegavam no colo, ele parava de chorar e dormia no bercinho. Minutos depois, mais choro, eu pegava de novo, dava o peito, mais choro. Eu achava que não tinha leite, ou que ele tinha cólica. Peguei no colo e andei no quarto, ele parou de chorar. Fui dar uma volta no corredor, até uma salinha de espera onde havia outras mães com seus filhos dentro dos bercinhos. Uma parteira veio me xingar, o que eu estava fazendo ali, era proibido sair do quarto com o bebê no colo, poderia escorregar, cair, fugir, sei lá! A parteira levou o Luka de volta pro quarto, eu enrolei uns 2 minutos e voltei também, para encontrá-lo dormindo no berço como um anjo. Que ódio daquela mulher que sabia cuidar do meu filho melhor que eu! E assim passou a minha primeira noite de terror.

De manhã cedo, Ryan voltou para nos buscar. Luka dormiu a manhã inteira enquanto aguardávamos liberação da médica. Até mesmo quando o colocamos na cadeirinha para ir no carro, não acordou. Em casa, dormiu outras 2 ou 3 horas talvez. Uma paz.

Eu estava cansada e fraca, com dores para sentar causadas pelo parto e pela episiotomia, e outras nas costas por causa da peridural. A única coisa que eu fazia era amamentar, assim que o Luka largava o peito, Ryan assumia, e fazia TUDO. Até minha mãe ficava sem jeito, pois não sabia se ele queria ajuda ou se ela estava atrapalhando! Coisa mais linda de se ter, um pai tão dedicado e um marido tão parceiro!

Quando você não dorme à noite e sua rotina está de pernas pro ar, você perde a noção do tempo, mas acho que demorou mais uns 3 ou 4 dias pra eu me dar conta de 2 coisas muito importantes: eu não sabia arrotar o meu filho, e muito menos trocar sua fralda!

Foi o Ryan que percebeu que eu não sabia fazer ele arrotar, e me ensinou. Foi quando eu me dei conta de que, no hospital, provavelmente era por isso que o coitadinho estava desesperado. A bandida da parteira devia arrotar ele direitinho e colocar dormir, e quando ele acordava chorando e eu dava mais peito e não fazia ele arrotar, começava tudo outra vez! Poxa, alguém poderia ter me falado!! E a sensação de insegurança nesse momento, de que havia muitas coisas ainda que eu não saberia fazer?

Como a fralda. Essa já foi mais simples de aprender, mas engraçado lembrar como fiquei nervosa nas primeiras trocas. Realmente, tudo sobre trocar fraldas eu tinha lido e aprendido, mas colocar em prática é diferente! E o Ryan, com seu videozinho do You Tube e 2 ou 3 dias de experiência, era um expert. Eu já sabia que, quando você tira a fralda, o neném provavelmente vai fazer xixi, então já estava (mentalmente) preparada, mas não tinha a menor coordenação motora para lidar com o contratempo! E o cocô? Nunca tinha visto aquilo, o Luka, quando fazia cocô, saia um jato do bumbum dele! Roupas, carpete, tudo foi alvo. Mas logo aprendi e tudo estava dentro da possível paz e normalidade que a vida com um recém-nascido pode proporcionar.

Nesses primeiros dias da chegada do Luka, aprendi que não sabia fazê-lo arrotar e trocar fralda, aprendi que buscar ser uma mãe perfeita é louvável, mas cansativo e de certa forma prepotente, aprendi que precisamos de ajuda, e  aprendi que tenho sempre a aprender. Mas, principalmente, aprendi que eu não estava sozinha, e que meu filho tinha um pai.



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Protetora ou independente, que tipo de mãe você é?

Eu acredito que criança precisa de proteção e se sentir segura, e que gosta mesmo (apesar de não parecer) de ter alguém disciplinando. Hoje, com tantos estudos psicológicos apontando os efeitos da criação, especialmente entre 0 e 3 anos, no futuro dos nossos pequenos, algumas de nós acabamos nos sentindo um pouco (ou muito) anciosas em relacão ao que fazemos e à maneira como agimos.

Um exemplo: meu filho, Luka, é bem complicado de alimentar. Já melhorou muito, mas tem dias difíceis. Não é por estar sem fome, é porque quer brincar ou inventa que queria comer outra coisa, enfim, na verdade, fico tentando adivinhar o motivo! Então, dotada de poder maior, uso a arte do suborno: “se você comer essas 3 vagens e mais esses 2 pedaços de bife, você vai poder comer chocolate depois”. 10 em cada 10 vezes, ele aceita. O problema é que eu li em algum lugar que não se deve oferecer doces como forma de prêmio, porque a criança vai fazer a associação e doce será sinonimo de conquista, de satisfação, e quando crescer, vai comer em excesso e pode virar obesa ou ter outros problemas de saúde, como diabete. Socoooorrooooo!!! Pois é, apesar da consciência pesada, continuo com minha artimanha, e que me perdoem e não me julguem as damas de ferro de plantão, mas alegria de mãe é mesmo filho comer bem! Claro que penso se isso realmente terá efeito negativo no futuro, mas acho que ás vezes temos que relaxar e não pensar fundo demais em tudo, não querer ser perfeita o tempo todo. Ou enlouquecemos.
Agora, tem uma questão que deve ser a mais polêmica: se eu proteger demais, meu filho não vai aprender a ser independente?
A questão esteve a ponto de causar briga entre eu e minhas amigas, já que cada uma tem opiniões diferentes. Penso muito sobre isso, e na verdade, não acredito que exista uma resposta universal. Na minha opinião, cada bebê/criança, é unico e deve receber tratamento singular, sem seguir um manual. No caso do meu filho, eu acredito que ele precisa, por causa da personalidade dele, de uma boa medida de proteção. Canceriano, Luka é carinhoso, sentimental, caseiro. Gosta de se sentir amado e seguro. Se eu vou sair de casa e ele começar a chorar, não tem a menor importância esperar outros 5 minutos pra fazer ele se sentir seguro de que eu vou voltar e de que não está sendo abandonado, esperar ele se distrair com a pessoa que ficará tomando conta, e sair mais tranquila. Claro que existe choro-mãnha e choro-desespero, aliás, existem vários tipos de choro, cabe à mãe aprender a identificar cada um (fique tranquila, você vai saber, a maioria por instinto), e então ao choro-mãnha tento ser mais durona (demorei a aprender, confesso). Choro-desespero eu não gosto de ignorar, acabo ficando mais triste depois que sair, ele pode até ficar bem após 5 minutos, mas eu não! Agora... o maior teste é na hora de levar na escolinha. Difícil virar as costas ao choro, mas aí sim, esse é o grande passo em direção à independencia, é importante ser forte e se confortar sabendo que após 5 minutos da sua saída ele vai estar brincando feliz. E criança aprende tudo rápido demais. Se no primeiro dia você dá bola pra choradeira ou leva de volta pra casa, pronto, ele já aprendeu a fazer a chantagem.
O tema da polêmica entre eu e minhas amigas foi sobre viajar e deixar o filho. Luka vai fazer 3 anos em julho e eu nunca viajei sem ele. No máximo fiquei de um almoço de sábado ao de domingo sem vê-lo. Não porque não quis, simplesmente não tive oportunidade, inclusive porque amamentei até os 18 meses. Não porque acho um absurdo ou que mãe que deixa é uma pessima mãe. Mas, realmente, nos 2 primeiros anos, conhecendo o meu filho como eu conheco, sabendo de como é importante pra ele sua rotina e se sentir seguro, eu não viajaria sem ele. Não acho que ele vai ser menos ou mais independente no futuro porque sua mãe está presente todos os dias. Mas com certeza vai se sentir sempre amado e protegido. Também não estou dizendo que filho de mãe que viajou vai se sentir menos amado ou inseguro, como eu disse, cada bebê é diferente, cada caso é um caso. Não estou julgando as outras mães, apenas espero a gentileza de  não ser julgada também por ser ‘grudada demais’!
Agora estou planejando um final de semana extendido, tipo de quinta a domingo, pessoa pequena não-incluída. Estou super tranquila de que ele vai ficar bem com a minha sogra. Quem sabe da próxima vez a viagem pode ser mais longa, uma semana está de bom tamanho!
Enfim, o que quero dizer é que, sim, devemos nos informar sobre estudos do comportamento e sobre como lidar com nossos filhos, devemos tentar aprender sempre, de todas as formas, mas principalmente, devemos gastar a maior parte do tempo tentando conhecer a nossos filhos e a nós mesmas, e criar com o coração. O que serve pra mim, nem sempre serve para você.
p.s Acho que a cunhadi Paola também pode dar sua opinião sobre esse assunto!